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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A MALDIÇÃO DOS 27

O pensador Sêneca escreveu certa vez ao amigo: “Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é por si só, uma vida”. Não foi bem assim que muitos artistas pensaram ao terminar sua vida. Muitos viveram cada dia como uma vida inteira, mas não viveram bem. Alguns chamam de maldição dos 27 anos, onde no final da década de 60, começo da década de 70 perdemos grandes nomes da música mundial.
Brian Jones
Tudo começou em 1969, após ser desligado da banda Rolling Stones por conta do seu excessivo uso de drogas, o ex-guitarrista do grupo Brian Jones foi encontrado morto no fundo da piscina da casa onde morava. A causa da morte foi afogamento, mas anos mais tarde uma nova versão da morte do ex-guitarrista veio à tona.O empreiteiro Frank Thorogood que trabalhava em reformas na casa de Brian confessou o crime em seu leito de morte para a filha, entretanto, muitos duvidam desta versão.
Jimi Hendrix
Em setembro de 1970 o guitarrista Jimi Hendrix morreu em Londres também aos 27 anos. Segundo o depoimento de Monika Dannemann, sua namorada na época, Jimi teria tomado nove comprimidos para dormir. De acordo com o médico que atendeu o guitarrista, Hendrix teria se asfixiado em seu próprio vômito após ter tomados várias doses de vinho tinto.
Janis Joplin
No dia 4 de outubro do mesmo ano, o empresário da banda de Janis Joplin, John Cooke, encontrou a cantora morta em um hotel na Califórnia. A cantora foi vítima de overdose e combinações com álcool. Seu corpo foi cremado e suas cinzas jogadas no oceano pacífico. Mais uma vez, aos 27 anos, o Rock perdia outro grande talento.
Jim Morrison
No dia 3 de Julho de 1971, o Rock perdia outro ídolo, Jim Morrison foi encontrado morto em seu apartamento em Paris. Sua namorada Pam encontrou o vocalista do The Doors morto na banheira do apartamento vítima de overdose de Heroína. Muitos fãs e biógrafos do músico ainda discutem se Jim teria sido vítima de assassinato por parte do governo. Outros dizem que Jim saiu de cena, cansou-se do estrelato e caiu no mundo anonimamente como outro grande escritor e ídolo de Jim, Arthur Rimbaud.
Kurt Cobain
Quando tudo parecia ter virado lenda e uma suposta coincidência, 23 anos depois outro grande talento era encontrado morto em Seatlle nos Estados Unidos. O cantor e líder da banda Nirvana, Kurt Cobain, cometeu suicídio na sala de casa. Atormentado pela fama repentina e viciado em drogas pesadas, Kurt não aguentou o peso que carregava. Em uma década onde o Rock tomava novo fôlego, bandas como Nirvana, Pearl Jam, SoundGarden e Alice In Chains surgiam como grandes promessas. O sucesso do disco Nevermind levou a banda de Kurt ao estrelato, a fama, as cobranças, imagem pública, depressão e os vícios levam Kurt ao suicídio aos 27 anos.
Na tarde do sábado de 24 de Julho, a cantora Amy Winehouse aumenta a lista dos talentos que deixam o mundo aos 27 anos. Diferentemente dos outros artistas, a vida pública de Amy, os boatos, as drogas e os vexames foram maiores que a própria obra da cantora.

Particularmente acho que Amy está muito longe do talento dos outros artistas que citei nesse texto, mas fica a mística dos 27 anos. Maldição? Coincidência? Não sei explicar, sei apenas que grandes talentos somados as drogas e a depressão resultam em tragédias.

Não culpo apenas isso, me arrisco a dizer que uma parte da culpa vem das famílias, dos empresários, dos amigos e das cobranças do mundo. Cada um vive a vida do modo que quer, mas sem carinho, força e cuidado não tem ser humano que aguente. Artistas assim são sensíveis ao mundo é preciso ter cuidado, fica agora a lacuna na música e o pensamento: Eles poderiam ter rendido muito mais.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O CRIME DA MALA

Em outubro de 1928, a tranqüila São Paulo era sacudida ante a execução de uma loira de 21 anos, grávida de meses, abatida pelo marido e depois mutilada e colocada numa enorme mala de couro, com fecho americano. Essa misteriosa mala faria uma longa viagem pelo Atlântico, não fosse a descoberta no porto de Santos. A estranha carga tinha um destino: Bordeaux, na França.

Nos bares, cafés, restaurantes e passeios públicos, a conversa, durante muitos dias, girou sobre um só assunto: o crime da mala. Aos domingos, quando da tradicional macarronada dos italianos, famílias inteiras dedicavam-se ao assunto com interesse incomum, mas não estranho: a vítima era italiana e o assassino tudo indicava fosse também da mesma nacionalidade.


A história da crônica policial conta esse assassinato como o mais expressivo já ocorrido no Brasil, pela repercussão que teve na época.

A divulgação de uma notícia, de que no porto de Santos uma grande mala de couro fora descoberta com o corpo de uma mulher dentro, explodia como uma bomba em todo o Planalto, depois de correr de boca em boca na região portuária. Ao ser içada para borrdo do vapor Massília, que seguiria para a Europa, a carga deixava escorrer um líquido escuro e exalava cheiro insuportável. No momento em que a embarcação levantava âncoras, a Polícia Marítima decidiu averiguar. Foi uma correria sem tamanho. A imprensa se apressou e logo passou a investigar, mesmo antes da polícia. Imediatamente pensava-se em Miguel Trade, autor de crime parecido em 1926. Mas não era nada disso. O nome agora era José Pistone, 31 anos, casado, natural de Canelli, na Itália). A vítima, sua esposa, Maria Féa Mercedes (21 anos).


Dentro da mala, além dos despojos de Féa Mercedes, foram achados também pedaços de papel que forravam a base do baú, uma caixinha de pó de arroz Coty, vidro com pastilhas para garganta, seringa, vidro de extrato, cobertor de lã, lençol de linho, travesseiro sem fronha, almofada verde, retalhos de tecidos e peças de roupa. O corpo tinha um colete de lã sobre o busto e camiseta de tricô, meias de seda presas por ligas de elástico, sem enfeites. E o que mais revoltou: junto do corpo, um minúsculo cadáver. Quando abatida, a vítima estava grávida de seis meses e o bebê nascera dentro da mala, confirmaria mais tarde o médico Rebello Netto. Ele mesmo diria, antes do sepultamento feito no cemitério do Saboó (esse cemitério existe até hoje em Santos e na sepultura todos os anos milhares de pessoas depositam suas esperanças em milagres, conforme criou a crença popular), que Maria Féa fora estrangulada e depois mutilada.

Maria Féa Mercedes teria sido morta pelo marido, José Pistone, na Rua da Conceição, 34, onde residiam numa sala alugada do apartamento número cinco do prédio de 3 andares. Pistone comprou uma mala na Av. São João e mandou que fosse entregue em sua casa, para onde se dirigiu e pôs em prática seu plano. Ao chegar sua encomenda, recebeu-a na porta. A seguir, tentou colocar o corpo dentro.


Não coube. Então ele seccionou as pernas da morta na altura dos joelhos com uma navalha, até partir-se em meia lua na lâmina. Fechada e com o corpo bem acondicionado para seus propósitos, a mala foi logo levada a um caminhão para a estação da Luz e colocada num trem que ia para Santos. Ele foi junto.

No porto, alugou um caminhão Fiat 818 e transportou seu precioso volume até o cais, e lá providenciou o despacho para a França, com a inscrição: "Francisco Ferrero" (nome fictício, provavelmente, apenas para justificar a remessa). Antes disso, envolveu a caixa com muitos metros de uma forte corda. Durante todo esse tempo, vivia com os olhos pregados na mala, embora isso lhe custasse náuseas e ameaças de vômito, pois o cadáver entrava em decomposição e cheirava mal. Essa vigília e também o odor do volume despertaram as atenções.
Descoberta a loja que vendera a mala e também a identificação da mulher, a polícia caminhou a passos largos para a localização e conseqüente prisão do autor do segundo crime da mala no país. Ele foi achado na Pensão Grasso, que existia na Rua Ypiranga (hoje avenida), de onde pretendia pagar um automóvel e seguir até o Bom Retiro e de lá se jogar no rio Tietê, uma vez que para se afogar no mar, em Santos, não tivera coragem suficiente. Sem reagir, o italiano magro e alto, de olhos azuis e tido como doente tuberculoso quando trabalhava na Casa Canelli, também da Rua da Conceição, foi levado para o "Gabinete de Investigações", onde tentou justificar seu gesto.

Sobre a possibilidade de adultério praticado por "Mariucha", como era chamada sua esposa na colônia italiana, ele não esclareceu muito, apenas garantiu que ao chegar em casa no dia do crime, um homem pulou e sua cama e fugiu na sua frente.

No entanto, pelo que disse aos policiais em 1928, o assassinato poderia também estar ligado a dinheiro. As 15 mil liras que ele trouxera quando veio para o Brasil, teria dado para Maria Féa depositar numa casa bancária. Depois ele soube que lá só havia 12 mil, gerando daí séria discussão e o crime. (Féa Mercedes mandara 3 mil liras para seus parentes na Itália, em pagamento dos débitos contraídos pelo marido, quando de seu casamento em Sandria, naquele país).

No dia 1º de novembro, isto é, quase um mês depois do homicídio, Pistone deu entrada na Penitenciária do Estado, que era na Av. Tiradentes. Saiu não se sabe pra onde, para voltar dia 19 de março de 1938 e, em definitivo, a 10 de junho do mesmo ano. Ele morreu em 1969 em Taubaté, onde teria se casado pela segunda vez. Seu corpo está sepultado no cemitério da cadeia dessa cidade.

domingo, 7 de novembro de 2010

ESTÓRIAS QUE QUASE NINGUÉM CONTOU II



Nos tempos das fadas e das bruxas, um rapaz achou no seu caminho uma pedra que emitia um brilho diferente, por isso levou-a consigo.

Era uma pedra do tamanho de um limão e pertencia a uma fada. Era a Pedra da Felicidade. Possuía o poder de transformar desejos em realidade.

A fada, ao se dar conta que havia perdido a pedra, consultou sua fonte de adivinhação e viu o que havia ocorrido. Avaliou o poder mágico da pedra e, como a pessoa que havia encontrado a pedra era um jovem de família pobre e sofredora, concluiu que a pedra poderia ficar em seu poder e decidiu ajudá-lo.

Apareceu ao rapaz em sonho e disse-lhe que a pedra tinha poderes para atender a três desejos: um bem material, uma alegria e uma caridade. Mas esses benefícios somente poderiam ser utilizados em favor de outras pessoas.

Para atingir o intento, cabia-lhe pensar no pedido e apertar a pedra entre as mãos.

O rapaz acordou desapontado. Não gostou de saber que os poderes da pedra somente poderiam se revertidos em proveito dos outros. Queria que fossem para ele.

Tentou pedir alguma coisa para si, apertando a pedra entre as mãos sem êxito. Assim, resolveu guardá-la, sem muito interesse pelo seu uso. Os anos passaram e o rapaz tornou-se bem velhinho.

Certo dia, rememorando o seu passado, concluiu que havia levado uma vida infeliz, com muitas dificuldades, privações e dissabores.

Tivera poucos amigos e reconhecia ter sido muito egoísta.

Jamais quisera o bem para os outros. Antes, desejava que todos sofressem tanto quanto ele. Reviu a pedra que guardava consigo durante quase toda a sua existência; lembrou-se do sonho e dos prováveis poderes da pedra. Decidiu usá-la, mesmo sendo em proveito dos outros.

Assim, realizou o desejo de uma jovem, disponibilizando-lhe um bem material.

Proporcionou uma grande alegria a uma mãe revelando o paradeiro de uma filha há anos desaparecida e, por último, diante de um doente, condoeu-se e ofereceu-lhe a cura. Ao realizar o terceiro benefício, aconteceu o inesperado: a pedra transformou-se numa nuvem de fumaça e, no meio da nuvem, a fada surgiu, dizendo: - Usaste a Pedra da Felicidade. O que me pedires, para ti, eu farei.

Antes, devias fazer o bem aos outros, para mereceres o atendimento de teu desejo.

Porque demoraste tanto tempo para a usar?

O homem ficou muito triste ao entender o que se passara.

Tivera nas suas mãos, desde sua juventude, a oportunidade de construir uma vida plena de felicidade, mas, fechado no seu desamor nunca pensara que fazendo o bem aos outros colheria o bem para si mesmo.

Lamentando o seu passado de dor e seu erro em desprezar os outros, pediu comovido e arrependido:

- Dá-me, tão somente, a felicidade de esquecer o meu passado egoísta.

Autor desconhecido