sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

LYNYRD SKYNYRD


Uma banda chamada Lynyrd Skynyrd, oriunda de Jacksonville, Sul da Flórida, EUA, actua no festival de Knebworth (1976) , na Inglaterra. Armas, álcool, problemas com a polícia... Mas isso não os impede de serem as estrelas dessa edição do festival, que contava, entre outros, com os Rolling Stones!

A banda estava no meio de uma escalada de sucesso que contava já com 3 meses extra agendados para coincidirem com a edição de um futuro álbum ao vivo (seria o excelente One More From The Road ), que beneficiando da aparição em Knebworth , daria aos Skynyrd o seu primeiro top 20 Britânico. Sensivelmente um ano depois, tudo estaria acabado.

20 de Outubro de 1977. Terceiro dia da Survivors Tour , a banda e a sua Crew sobrevoam a área de McComb, Mississippi, num bimotor fretado. Subitamente, um dos motores pára e o piloto comunica via rádio que necessita fazer uma aterragem de emergência devido a falta de combustível. Ainda mal a mensagem havia sido recebida e o segundo motor parou, lançando o avião numa queda fatal num pântano do Mississippi.

O avião atravessou com toda a força uma floresta densa, partiu-se ao meio e os passageiros que seguiam á frente foram os mais afectados. Ronnie Van Zandt, vocalista e líder da banda, Steve Gaines, guitarrista, Cassie Gaines, irmã de Steve e uma das Honkettes , as Back Singers dos Skynyrd, Dean Kilpatrick, Road Manager e os dois pilotos do avião, morrem no acidente.

O avião ficou enterrado num pântano, no meio de uma floresta cerrada, de noite, pelo que foi difícil para os meios de socorro chegarem ao local. Os sobreviventes não sabiam que o motivo da queda tinha sido a falta de combustível, pelo que tentaram fugir do aparelho, com medo de haver uma explosão. O baterista, Artimus Pyle, mais dois membros da Crew , arrastaram-se, bastante feridos, através do pântano (com crocodilos), em direcção a uma pequena propriedade rural. Esta parte da história tornou-se um mito. Reza a lenda que o dono da propriedade, ao ver o aspecto de Artimus, tomou-o como um ladrão e baleou-o num ombro (ele tinha, entre outras mazelas, fracturas expostas nas costelas). Porém, o homem negou sempre ter disparado (Artimus diz o contrário).

Mas foi de facto o dono da propriedade quem chamou ajuda, que demorou imenso tempo a chegar. É aqui que a história começa a tomar contornos ainda mais estranhos.

Os 20 sobreviventes, feridos, tiveram de aguardar na lama durante horas, enquanto as autoridades e trabalhadores tentavam abrir caminho até ao local do sinistro. Antes da ajuda, chegaram ladrões, que aproveitaram para roubar vivos e mortos e tudo o que se pôde aproveitar da carcaça do avião. Como abutres humanos, pilharam tudo. Inclusive as placas do exterior do avião que diziam Lynyrd Skynyrd!

Os membros sobreviventes da Banda, Gary Rossington (guitarra), Allen Collins (guitarra), Billy Powell (teclas), Artimus Pyle (bateria), Leon Wilkeson (baixo) e umas das 3 Honkettes , Leslie Hawkins, foram hospitalizados com ferimentos graves no dia seguinte e necessitaram de várias semanas de recuperação. De todos, Leon foi o caso mais grave, tendo sido dado como morto por três vezes. Anos mais tarde, Leon diria que fora o espectro do falecido Ronnie a puxá-lo para a vida...

Mais tarde, em 1981, a tragédia voltaria a assombrar o guitarrista Allen Collins. A sua esposa, grávida, foi surpreendida por uma grave hemorragia e morreria num hospital. Allen nunca mais recuperaria da sua perda e encontraria refúgio nas drogas e no álcool. Cinco anos após a morte da sua esposa, ele sofreria um grave acidente de automóvel, caindo numa ravina. Os resultados do acidente seriam terríveis: A sua namorada da altura morreu e ele ficou paraplégico. Quatro anos depois, Allen Collins morria, vítima de sequelas do acidente.

Coincidências ou caprichos do destino, quem poderá sabe-lo? O que é certo, é que várias pessoas confirmam que o Ronnie Van Zandt disse várias vezes que não chegaria a completar 30 anos e de facto, morreu com 29 anos de idade, poucos meses antes de cumprir mais um aniversário. Em vida, Ronnie foi um duro, uma verdadeira força da natureza e a alma dos Skynyrd, pelo que a sugestão da aparição do seu espírito não parece de todo descabida. A sua viúva, Judy, que sofreu um colapso nervoso após o funeral, afirma que Ronnie apareceu-lhe uma noite num sonho para dizer-lhe 3 coisas: primeiro para cuidar da sua filha Melody; para não se preocupar com o Allen e o Gary, que eles tomariam conta das suas vidas e por último, que com ele estava tudo ok. O guitarrista Gary Rossington, único membro original que se mantém na banda (foi reactivada em 1987 com o irmão mais novo de Ronnie na voz), também afirma sentir a presença de Ronnie em muitas ocasiões.

Vivendo uma "segunda vida", a tragédia voltaria a bater na porta dos Skynyrd. O baixista Leon Wilkeson foi encontrado morto a 27 de Julho de 2001, num quarto de hotel. Tinha 49 anos e faleceu devido a complicações de fígado e pulmões. O teclista Billy Powell morreu a 28 de Janeiro de 2009, aos 56 anos, devido a problemas cardíacos. Artimus Pyle, o baterista, que se arrastou pelo pântano naquela fatídica noite de 1977, deixou a banda em 1991, fazendo algumas colaborações e gravando em nome próprio. Deste modo, Gary Rossington é o único membro original que se mantém no seio dos Lynyrd Skynyrd.

Foram uma grande banda e carregaram orgulhosamente a bandeira da Confederação Sulista. Os seus guitarristas nunca figuram nas listas dos melhores, mas é deles um dos mais famosos "ataques" de guitarra de sempre. Quis o destino que os Lynyrd Skynyrd fossem marcados pela tragédia, justamente quando começavam a despontar para o sucesso a uma escala global.

CURIOSIDADE:
A capa de "Street Survivors" mostrava a banda rodeada por chamas e foi fotografada no Universal Studios de Hollywood. Após o acidente na qual morreram Ronnie, Steve, Cassie e Dean, a esposa de Steve Gaines, Teresa, pediu a gravadora que substituisse a capa. Hoje o disco com a capa original vale algumas centenas de dólares.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

LITERATURA DE CORDEL


Literatura de Cordel é, como qualquer outra forma artística, uma manifestação cultural. Por meio da escrita são transmitidas as cantigas, os poemas e as histórias do povo — pelo próprio povo.

O nome de Cordel teve origem em Portugal, onde os livretos, antigamente, eram expostos em barbantes, como roupas no varal.

Em Portugal, o folheto era conhecido por "Literatura de Cego", devido a uma lei promulgada por Dom João VI que limitava a sua venda à Irmandade do Menino Jesus dos Homens Cegos de Lisboa.


O folheto em Portugal era escrito em forma de prosa. Ao chegar ao Brasil, passou a ser escrito em sextilhas de versos de sete sílabas. O primeiro brasileiro a publicar um romance de Cordel foi, provavelmente, Sílvio Pirauá (1848/1913), famoso cantador de viola paraibano.
Literatura de Cordel - Os livros são pendurados em barbantes
Como é uma manifestação muito mais cultural do que intelectual, destaca-se em regiões onde a cultura é mais valorizada e delineada.

De custo baixo, geralmente estes pequenos livros são vendidos pelos próprios autores. Fazem grande sucesso em estados como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia. Este sucesso ocorre em função do preço baixo, do tom humorístico de muitos deles e também por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da região. Os principais assuntos retratados nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres, morte de personalidades etc.


Em algumas situações, estes poemas são acompanhados de violas e recitados em praças com a presença do público.

Um dos poetas da literatura de cordel que fez mais sucesso até hoje foi Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Acredita-se que ele tenha escrito mais de mil folhetos. Mais recentes, podemos citar os poetas José Alves Sobrinho, Homero do Rego Barros, Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva), Téo Azevedo. Zé Melancia, Zé Vicente, José Pacheco da Rosa, Gonçalo Ferreira da Silva, Chico Traíra, João de Cristo Rei e Ignácio da Catingueira.

Cordel. Vem de corda, cordão, cordial, toca a alma e o coração.


Os folhetos eram expostos em cordões, lençois, esteiras, nas feiras, praças, portas das igrejas, bancas e nos mercados.

Literatura de cordel, poesia de cordel, romance, folheto(s), arrecifes, abcs, "folhas volantes" ou "folhas soltas","littèratue de colportage","cocks" ou "catchpennies", "broadsiddes", "hojas" e "corridos"... São nomes que a poesia popular recebeu ao longo do tempo, na Europa e nos países latino-americanos, com mais destaque no Brasil, principalmente no Nordeste.

No Brasil, o termo cordel foi consagrado como sinônimo de poesia popular. O cordel apresenta-se em narrativas tradicionais e fatos circunstanciais, em folhetos de época ou "acontecidos".

INFARTO DO MIOCÁRDIO ( ATAQUE CARDÍACO )

O infarto do miocárdio se dá quando o suprimento de sangue de uma parte do músculo cardíaco é reduzido ou cortado totalmente. Isso acontece quando  uma artéria coronária está contraída ou obstruída, parcial ou totalmente.

Com a supressão total ou parcial da oferta de sangue ao músculo cardíaco, ele sofre uma injúria irreversível e, parando de funcionar, o que pode levar à morte súbita, morte tardia ou insuficiência cardíaca com consequências  desde severas limitações  da atividade física até a completa recuperação.

Cerca de 90% dos pacientes que sofreram um infarto do miocárdio, apresentam um ou mais fatores de risco cardiovascular que podem ser modificados . Esses fatores de risco devem ser combatidos, visando evitar complicações futuras, a chamada prevenção secundária. Os principais fatores de risco são : tabagismo ( meta: deverá ser abolido), obesidade ( meta: obter um índice de massa corporal inferior a 25 kg/m2 e uma circunferência abdominal inferior a 80 cm nas mulheres e 94 cm nos homens), dislipidemias ( anormalidades do colesterol e frações ; meta : colesterol total inferior a 200mg/dl, LDL-colesterol ou "colesterol ruim" inferior a 100m/dl ou 70mg/dl em pacientes de muito alto risco , HDL-colesterol ou "colesterol bom" maior que 40 ou 50 mg/dl nos pacientes diabéticos e nas mulheres , triglicerídeos inferiores a 150 mg%), diabete melito (meta: glicemia de jejum menor que 120mg/dl e hemoglobina glicosilada dentro dos limites superiores do laboratório, em geral, até 7mg/dl), hipertensão arterial (meta: pressão arterial ótima , ou seja, abaixo de 120/80 mmHg ou, pelo menos, pressão arterial normal, ou seja, abaixo de 130/85 mmHg), sedentarismo ( meta: exercícios físicos aeróbicos leves a moderados, pelo menos três vezes por semana, 30 a 45 minutos) e estresse psicossocial e depressão ( meta: melhora do quadro com acompanhamento psicológico e, se necessário , uso de medicação).

SAIBA QUE:
60% das pessoas que tiveram um ataque cardíaco enquanto dormiam, não se levantaram... Mas a dor no peito, pode acordá-lo dum sono profundo.
Embora dependa de uma variedade de fatores biólogicos e ambientais, a idade mais afetada é a compreendida entre os 40 e os 70 anos. O sintoma é uma dor opressiva, intensa e duradoura que se centra quase sempre atrás do esternos e se estende até os ombros e braços, sobretudo o ombro esquerdo e a parte interior do braço deste mesmo lado. Esta dor é acompanhada quase sempre de sintomas que não são específico do infarto do miocárdio.

Dada a gravidade do processo,é necessário que seja imediatamente hospitalizado,se possível, em uma unidade coronariana de cuidados intensivos, onde será aplicado o tratamento conveniente e se dectará o surgimento de possíveis complicações como o choque ou os transtornos de ritmos cardíacos.


Imagine uma bomba em constante funcionamento, enviando sangue para todo o corpo, se contraindo e relaxando mais de 100 mil vezes por dia. Para que o "motor" não perca a potência, é indispensável um bom suprimento de "combustível", o sangue com oxigênio e nutrientes transportado pelas coronárias, artérias que irrigam o coração.

Ainda que o órgão esteja sadio, uma obstrução no trajeto, dependendo do tamanho, pode fazer o motor engasgar ou "fundir", provocando de angina (dor no peito) a morte súbita. O problema é que, em 40% dos casos de doença coronária, a primeira manifestação é o infarto, com índice médio de mortalidade de 8%, segundo um estudo feito entre 1.600 infartados atendidos pelo Hospital do Coração. Daí a importância de exames preventivos de rotina, que possam identificar aterosclerose precoce a partir dos 35 anos.

Sintomas:

- Dor ou forte pressão no peito
- Dor no peito refletindo nos ombros, braço esquerdo (ou os dois), pescoço e maxilar
- Dor abdominal
- Suor
- Palidez
- Falta de ar
- Síncope (perda temporária de consciência)
- Sensação de morte iminente
- Náuseas e vômitos

Fatores de risco:
- Histórico familiar de doença coronária
- Idade (a partir dos 60 anos)
- Colesterol alto
- Triglicérides elevado
- Hipertensão arterial
- Obesidade
- Diabetes
- Fumo
- Estresse
- Sedentarismo

Como se prevenir:
- Alimentação balanceada (pobre em gorduras animais)
- Praticar exercícios de 30 a 40 minutos de três a quatro vezes por semana
- Manter o peso sob controle
- Exames de prevenção (avaliação clínica periódica, eletrocardiograma de repouso, hemograma, colesterol total e frações, triglicérides, glicose e teste de esforço)
Fontes: Luiz Francisco Cardoso (hospital Sírio Libanês); Marcos Barbosa (Hospital do Coração); Protásio Lemos da Luz (Incor)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

RETRATO NACIONAL

..."Em nome da guerra contra o crime, os policiais brasileiros matam cada vez mais. Apesar do banho de sangue, a criminalidade não cede, e o cidadão não se sente mais seguro. Ao contrário, crescem com freqüência assustadora relatos de abusos policiais, de pessoas inocentes mortas por engano e mesmo de execuções"...

Edição da revista ÉPOCA de 3/maio/2004

Anistia Internacional afirma que governos permitiram a institucionalização de um policiamento baseado em violações de direitos humanos e corrupção, uma prática que tem contribuído para intensificar a violência e a criminalidade e para reforçar os padrões de discriminação e exclusão social. 
 
Agência Carta Maior, 5/12/2005.
A polícia brasileira é responsável por uma parte considerável dos 48.000 homicídios registrados todos os anos no país e se beneficia de uma "carta-branca para matar", denunciou nesta segunda-feira Philip Alston, o relator especial da ONU para execuções sumárias.
"No Rio de Janeiro, os agentes da polícia matam três pessoas por dia e são responsáveis por mais de 18% de todas as mortes", afirmou Alston.

Em 15/09/2008.

É nas comunidades mais carentes  onde os habitantes já são privados da proteção do Estado, que existe a maior concentração de homicídios e de crimes violentos. O que o relatório da Anistia Internacional demostra é que ao falhar em tratar a longo prazo das necessidades de segurança pública de todos os setores da sociedade brasileira, como parte de uma estratégia governamental abrangente para combater a violência, sucessivos governos permitiram a institucionalização de um policiamento baseado em violações de direitos humanos e corrupção.
Em setembro de 2003, o jornal O Globo publicou trechos das músicas cantadas durante o treinamento de membros da divisão de elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o Batalhão de Operações Especiais (BOPE), tais como:

"O interrogatório é muito fácil de fazer / pega o favelado e dá porrada até doer/
O interrogatório é muito fácil de acabar / pega o favelado e dá porrada até matar.
Bandido favelado / não varre com vassoura / se varre com granada / com fuzil, metralhadora."

A violência se manifesta por meio do abuso da força, da tirania, da opressão. Ocorre do constrangimento exercido sobre alguma pessoa para obrigá-la a fazer ou deixar de fazer um ato qualquer. Existem diversas formas de violência, tais como as guerras, conflitos étnico-religiosos e banditismo.

Trezentos milhões de reais por dia é o custo estimado da violência no Brasil, o equivalente ao orçamento anual do Fundo Nacional de Segurança Pública, e um valor superior ao envolvido na reforma da Previdência que tanto mobilizou os governos. Esses valores não contabilizam o sofrimento físico e psicológico das vítimas da violência brasileira, uma das mais dramáticas do mundo. Com 3% da população mundial o Brasil concentra 9% dos homicídios cometidos no planeta. Os homicídios cresceram 29% na década passada e entre os jovens esse crescimento foi de 48%. As mortes violentas de jovens aqui são 88 vezes maiores do que na França. E poucos países sofrem as ações de terrorismo urbano como as praticados por traficantes no Rio de Janeiro.

Ocorreram 11 mil mortes catalogadas como "resistência seguida de morte" entre 2003 e 2009 no Rio de Janeiro e em São Paulo, embora evidências apontassem que se trataram de execuções.



A violência policial ainda é um tipo de violência que preocupa cada vez mais os cidadãos, os próprios policiais, os governantes, os jornalistas e os cientistas sociais, em parte porque é praticada por agentes do Estado que têm o obrigação constitucional de garantir a segurança pública, a quem a sociedade confia a responsabilidade do controle da violência, Os casos de violência policial, ainda que isolados, alimentam um sentimento de descontrole e insegurança que dificulta qualquer tentativa de controle e pode até contribuir para a escalado de outras formas de violência.

CONTINUA...

www.consciencia.net/.../0301-anistia-violencia.html
noticias.uol.com.br/ultnot/.../ult34u211640.jhtm
revistaepoca.globo.com/.../0,6993,EPT721936-1653,00.html
http://www.aprasc.com.br/policia/acoes.asp