segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O BAÚ SECRETO DA VOVÓ

Quando eu era menina e sentia medo, no lugar de chorar, ficava com raiva.

Na noite em que descobri o baú de minha avó, eu estava em Santos. Trovejava muito. Apavorada, comecei a gritar que odiava o mar. Foi quando minha avó me chamou e disse.

- Minha neta, você sabia que eu tenho um baú cheio de segredos?

- Como assim? Onde?

- Lá no fundo da garagem.

Pronto. Nada como a curiosidade para espantar o medo. Na garagem, vovó o abriu e retirou de dentro dele uma espécie de régua.

- Você sabe o que é isso?

- Uma régua esquisita - respondi.

- Não, isso é uma palmatória. Quem errasse na escola levava uma batida na palma da mão.

- Não acredito! E por que a senhora guardou este treco horrível?

- Pra lembrar que a gente precisa ser mais forte do que as injustiças. Olhe... meu dedal preferido. Foi com ele que eu costurei esta roupa - e ela me mostrou um vestidinho com uma espécie de short por baixo.

- Você jogava tênis, vovó?

- Não, isso é um maiô!

- Você nadava de vestido?

- Sim, e era considerada atrevida. Mas foi assim que conquistei seu avô.

- Nadando de roupa?

- Eu vinha de uma família pobre. Seu avô, não. Ele lia, gostava de dançar.

- E de nadar também?

- Sim, e por isso fiz este maiozinho. Corri até a praia de chapéu. Seu avô estava tomando sol. Fingi que tinha perdido o chapéu no mar. Ele, como era um cavalheiro, veio me ajudar. O chapéu foi parar no fundo. Então apostamos uma corrida para ver quem o apanhava. Ele gostou da minha ousadia.

- Foi assim que vocês começaram a namorar?

- E logo me casei. Guardei o dedal pra lembrar que a gente precisa tecer a felicidade, e o maiô, porque um pouco de coragem não faz mal a ninguém. Olhe esta caixinha de música. Seu avô me deu quando você nasceu. Não é linda?

Vovó mostrou para mim outros objetos e assim fui descobrindo que se não fosse o mar, que eu temia, não haveria o encontro de meus avós e que viver é saber perder o medo de tudo o que a gente nunca espera e nunca vai conseguir controlar.
Ilustração: Daniel Bueno

domingo, 9 de agosto de 2015

CASO ANA LÍDIA 42 ANOS DE MISTÉRIO.

Em 11 de setembro de 1973, a morte brutal de uma menina de 7 anos abalou para sempre o clima de tranquilidade que pairava sobre Brasília. Apesar da grande repercussão, ninguém foi punido pelo hediondo assassinato.


Às 13h50 de uma terça-feira típica da seca que castiga Brasília, começou a ser escrita uma história de terror que comoveu, revoltou e, até hoje, mexe com os moradores da capital: o brutal assassinato de Ana Lídia Braga, 7 anos, que completa hoje 40 anos. Em quatro décadas, foram muitas perguntas, muitas investigações, muitos julgamentos e nenhuma condenação. Deixada pelos pais na escola Madre Carmen Salles, na 604 Norte, a menina não chegou a entrar no colégio. Foi abordada por um homem alto, loiro, de cabelos compridos, que vestia blusa branca e calça verde-oliva. Na companhia dele, deixou o pátio da escola pela última vez.

Alto, loiro, cabelos compridos: irmão da vítima se encaixava na descrição do sequestrador

Vinte e duas horas depois de começado o pesadelo, o corpo da menina foi encontrado em um matagal próximo à Universidade de Brasília. Nua, com os cabelos louros cortados de forma irregular, bem rente ao couro cabeludo, e violentada, Ana Lídia teve a vida interrompida e atirada em um cova rasa no cerrado. “A polícia só descansará quando o responsável pela morte da menor for localizado e preso”, disse o então secretário de Segurança Pública do DF, coronel Aimé Laimaison em 12 de setembro de 1973. O que poderia ser o ponto final de um trágico episódio tornou-se, na verdade, o início de um caso que, até hoje, segue sem solução.


Nos anos 1970, Brasília ainda mantinha ares de cidade pequena. O Plano Piloto já era reduto da classe média e abrigava essencialmente servidores públicos. É nesse contexto, quase bucólico, em que a família Braga estava inserida. Eloyza Rossi Braga e Álvaro Braga eram funcionários do Departamento de Serviço de Pessoal (Dasp).Viviam no Bloco 40 (hoje Bloco B) da 405 Norte e, além da pequena Ana Lídia, eram pais de Álvaro Henrique Braga, à época com 18 anos, e Cristina Elizabeth Braga, então com 20. A filha temporã era o xodó de todos. Muito protegida, não brincava nos pilotis, não tinha amiguinhos nem saía de casa desacompanhada.


Aos 7 anos, Ana Lídia cursava, pela manhã, a 1ª série do ensino fundamental na escola religiosa que ficava próximo de casa. No turno vespertino, também no Carmen Salles, tinha aulas de reforço — às terças e sextas-feiras — e de piano — às segundas, quartas e quintas-feiras. Como sempre trabalhou, Eloyza contava com o auxílio de uma empregada. Rosa da Conceição Santana estava com a família havia 20 anos. Naquele 11 de setembro, antes de seguirem para o trabalho, os pais levaram a menina para a escola. Por volta das 16h30, como de costume, Rosa foi buscá-la a pé. Ao procurar a menina, recebeu a notícia de que ela não havia comparecido ao colégio naquela tarde. Preocupada, Irmã Celina, diretora da instituição, ligou para a mãe da aluna a fim de certificar-se de que ela fora deixada no colégio. Com a confirmação de Eloyza, o mundo da família Braga começou a desmoronar.

Às 12h do dia seguinte, agentes da Polícia Civil acharam o corpo de Ana Lídia em um terreno da UnB. Próximo ao local em que ela foi enterrada, havia duas camisinhas. O laudo do Instituto de Medicina de Legal atestou que a morte se deu por asfixia, provavelmente provocada por sufocação, entre às 4h e às 6h do dia 12 de setembro. Havia ainda manchas roxas e escoriações em várias partes do corpo. O exame revelou ainda um dos detalhes mais sinistros do crime: depois de morta, a criança foi estuprada.

SUSPEITOS
Os suspeitos do crime foram o seu próprio irmão Álvaro Henrique Braga (que, juntamente com a namorada, Gilma Varela de Albuquerque, teria vendido a menina para traficantes) e alguns filhos de políticos e importantes membros da sociedade brasiliense. Mas os culpados nunca foram apontados e o caso Ana Lídia se tornou mais um símbolo da impunidade em Brasília.
As investigações apontaram que Ana Lídia foi levada ao sítio do então Vice-Líder da Arena no Senado, Eurico Resende, situado em Sobradinho, no Distrito Federal. Testemunhas disseram que à noite, Álvaro e a namorada saíram e deixaram a menina com Alfredo Buzaid JúniorEduardo Ribeiro Resende (filho do senador, dono do sítio) e Raimundo Lacerda Duque, conhecido traficante de drogas de Brasília. Quando voltaram ao sítio, encontraram Ana Lídia morta. Como o principal suspeito era o filho do então Ministro da Justiça Alfredo Buzaid uma grande polêmica se formou em torno do caso.
Em um momento da história nacional em que a ditadura militar controlava as investigações que lhe diziam respeito, como era de se esperar, não houve muito rigor nas investigações. Digitais não foram procuradas no corpo da menina, as marcas de pneus foram esquecidas e sequer se efetuou análises comparativas do esperma encontrado nas camisinhas com o dos suspeitos. E o que era mais estranho: houve uma grande passividade por parte dos próprios familiares de Ana Lídia.
Depois que se passaram treze anos da execução do crime o processo foi reaberto porque surgiram novidades sobre o assassinato. A repórter Mônica Teixeira, da Vídeo Abril, garantiu ter testemunhas que poderiam provar que o autor do crime era mesmo o filho do ex-Ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, e que, apesar de a imprensa ter noticiado que ele havia morrido em um acidente, dois anos depois do crime, Mônica garantiu que ele ainda estava bem vivo no ano de 1985. Mais uma vez fatos estranhos aconteceram: algumas das testemunhas simplesmente morreram após serem intimadas para depor e não foi imediatamente permitida a exumação do corpo, sendo o processo novamente fechado por suposta falta de provas.
Em 1986, após um ano do pedido inicial, a exumação do corpo de Alfredo Buzaid Júnior foi autorizada. Porém, por engano ou descuido da polícia, o corpo exumado foi o de Felício Buzaid, avô do acusado, falecido em 1966. Após uma segunda tentativa, um segundo cadáver, supostamente de Alfredo Buzaid Júnior, foi entregue ao IML. Por algum motivo não explicado, os dentes do cadáver estavam removidos, impossibilitando o reconhecimento por arcada dentária (não existia o procedimento de testes de DNA na época). Mesmo assim, em julho de 1986, o legista José Antônio Mello declarou que o corpo enterrado era realmente de Alfredo Buzaid Júnior.
Até hoje não houve um desfecho para o caso e ninguém foi punido pelos crimes cometidos. Em homenagem à menina, uma região do chamado Parque da Cidade, próximo à entrada do Setor Hoteleiro Sul, em que estão instalados diversos brinquedos para crianças, passou a ser denominado Parque Ana Lídia. Pela circunstâncias de seu martírio, seu túmulo é um dos mais visitados no cemitério da cidade, sendo cultuada por devotos que acreditam em milagres feitos pela menina, agora considerada uma santa.


fonte.:  http://www.correiobraziliense.com.br/
http://perseguicaoarquivistica.blogspot.com.br
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quinta-feira, 19 de abril de 2012

SER VOVÔ

 Ser avô é muito mais que vivenciar um sorriso novo na velha família;
 É retomar a capacidade singular de admirar a arte sobre todas as suas formas;
 É reaprender a desenhar carros, aviões e casinhas;
 É mais que passear novamente pelos corredores de artigos infantis nos supermercados;
 É lembrar de um nome especial em cada pequeno brinquedo que se vê;
 É descobrir o mar novamente e brincar no rasinho, pela primeira vez;
 É fazer castelos de areia, com pontes e lagos, e depois derrubá-los, após intensa admiração, só para construí-los novamente;
 É apontar para qualquer coisa que se movimente;
 É adquirir um vigor incrível e te descobrir essencial;
 É sentir novamente que coisas muito melhores ainda existem e estão por vir;
 É aguçar o desejo pela descoberta, pelo inexplorável e intrigante universo;
 É rir de tuas quedas e te orgulhar dos machucados;
 Ser avô é entender como nunca e ninguém mais, a linguagem do olhar;
 É ter a certeza de que muitas vezes é bom demais perder o bom senso e fazer o que não pode;
 É entender que os questionamentos fazem parte de nossa existência e são os vilões da inquietude e da acomodação;
 É esconder-te atrás de um paninho e ter a felicidade de perceber que alguém ainda te procura;
 Ser vovô é perceber que caminham juntos, no mesmo sentido, e por caminhos já há muito percorridos por ti, no entanto, sempre fazendo de conta que também jamais os percorreu;
 É, enfim, cumplicidade, fidelidade, renovação e, acima de tudo, um período novo para descobrir a infinita capacidade de amar que possuímos!

fonte.:Mário Arruda.  www.advmarioarruda.adv.br/

sábado, 4 de fevereiro de 2012

TECNOLOGIA DA GUERRA

Bombas, mísseis e explosivos
Como funcionam as railguns
Usando um campo magnético alimentado por eletricidade, a arma sobre trilhos pode atingir um alvo a 400 km de distância em seis minutos. As armas sobre trilhos podem fazer as armas que usam pólvora caírem em desuso. Então, por que o exército não utiliza essas armas? Descubra como as armas sobre trilhos podem ser usadas e aprenda sobre as limitações dessa tecnologia.
Como funcionam os lança-granadas-foguete
A granada propulsada por foguetes é usada para derrubar helicópteros, desativar tanques ou atacar prédios a uma distância razoável. Nas mãos de um operador habilidoso, o RPG é uma arma letal e versátil. Saiba tudo sobre RPGs.
Como funcionam as bombas nucleares
As armas nucleares são a ameaça mais séria de qualquer grande conflito. Este artigo explica a tecnologia básica das bombas nucleares e mostra algumas das conseqüências de seu uso.
Como funcionam os arrasa-bunkers
Bombas comuns podem arrasar instalações na superfície, mas quando o alvo está enterrado ou incrustado, a tarefa requer uma bomba com poder de penetração. É aí que os arrasa-bunkers aparecem.
Como funcionam os mísseis de cruzeiro
Mísseis de cruzeiro são um exemplo da tecnologia remota usada na guerra moderna. O míssil é, basicamente, um avião não tripulado, que pode jogar uma bomba de 450 quilos em um alvo localizado a 1.600 quilômetros de distância.
Como funcionam as bombas inteligentes
As bombas inteligentes são uma tecnologia importante no arsenal dos Estados Unidos. Os modelos mais novos podem navegar com seus próprios recursos para localizar e atingir alvos no solo, com extrema precisão, mesmo em péssimas condições atmosféricas.
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Como funcionam as bombas eletromagnéticas (E-Bombs)
As armas eletromagnéticas atacam sem matar, mas destroem os dispositivos elétricos dos quais dependem o governo e o exército. Em um futuro próximo, essas armas podem ter um papel importante nas operações dos Estados Unidos. Versões de baixa tecnologia poderão ser usadas, em solo americano, em ataques terroristas.
Como funcionam as bombas sujas
Um ataque terrorista com bomba suja não chega nem perto da destruição causada por uma explosão nuclear, mas, certamente, acarretaria um dano psicológico muito grande. Os efeitos dessa arma podem durar anos, até mesmo décadas.
Como funciona a superbomba MOAB
A bomba de explosão no ar com artilharia pesada é uma das mais novas armas do arsenal dos Estados Unidos e uma das mais poderosas. Ela está entre as maiores e mais mortais bombas convencionais já construídas.
Mesmo após cinqüenta anos, o Sidewinder ainda se parece com algo que veio da ficção científica. Esse míssil de combate  pode, na realidade, achar seu alvo sozinho, permitindo que os pilotos de combate disparem sobre o inimigo e voltem para a área de segurança.
Como funcionam os mísseis Stinger
Armas terra-ar possuem um papel primordial nos conflitos modernos. Armados com lançadores de mísseis Stinger, as forças terrestres podem lançar aviões e helicópteros de vôo baixo. Assim como o vento lateral, o Stinger pode mirar automaticamente sobre um alvo móvel.
Como funcionam os mísseis Patriot
Projetados para detectar, mirar o alvo e atingir um míssil invasor, as baterias do míssil Patriot foram ativadas várias vezes na guerra atual. Os destruidores SCUD são uma forma eficaz de defesa contra ogivas químicas e biológicas.
Como funciona o explosivo C-4
O C-4 aparece regularmente nas notícias porque é o favorito entre os explosivos das forças militares e das organizações terroristas. Esse artigo explica o que torna o C-4 tão mortal e explora um pouco dos seus usos mais comuns.