MÚSICAS INESQUECÍVEIS

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A PRISÃO COR DE ROSA

A prisão das cuecas e meias rosas
Meias, toalhas, lençóis e cuecas cor-de-rosa e uniformes listrados, como os que se vêem na banda desenhada da Disney. Esta é a realidade muito original das seis prisões do condado de Maricopa, nos EUA, dirigidas por Joe Arpaio, que se auto-intitula "o xerife mais duro da América".

"Há vagas", lê-se num aviso luminoso no alto da torre de observação, de 15,4 metros de altura, que pisca ao longo de 24 horas, de Tent City, uma das cadeias mais originais dos EUA, fruto da imaginação fértil de Joe Arpaio. Segundo o xerife de 78 anos, que em 2012 disputa o sexto mandato consecutivo, o luminoso de lâmpadas vermelhas tem o objetivo de mostrar aos criminosos que sempre haverá lugar nas seis prisões - incluindo Tent City - sob seu comando.

Trata-se  de uma prisão ao ar livre, onde os prisioneiros estão instalados em tendas militares, rodeadas por grades cobertas com camuflagem.

Com orgulho, o xerife - que já vai no seu quinto mandato - afirma que, com as tendas, montadas pelos próprios prisioneiros, conseguiu montar uma cadeia gastando apenas 150 mil dólares (106 mil euros), enquanto uma prisão normal teria custado ao erário público oito milhões (5,6 milhões de euros).

O espírito de poupança vai ainda mais longe: para que os reclusos não levem para casa, no final do cumprimento da pena, as toalhas, lençóis, meias e cuecas, tudo é cor-de-rosa, tons bebé ou rosa choque. Até as algemas são da mesma cor, para que os agentes policiais que ali levam os reclusos não se enganem e as levem de volta.

"Os presos odeiam rosa. Por que lhes daria uma cor de que gostam?", interrogou o xerife.
A prisão das cuecas e meias rosas

Sempre empenhado em poupanças, Joe Arpaio não contrata pessoal. São os próprios reclusos que tratam da limpeza das instalações e da produção de alimentos. A confecção das refeições fica a cargo do próprio xerife, que se orgulha de propagandear ser muito fraco cozinheiro. E os familiares dos prisioneiros que não pensem em lhes enviar comida. O mais que lhes é permitido fazer é depositar numa conta do recluso dinheiro, para que ele compre algo para trincar nas máquinas de guloseimas.

Nos tempos livres, os reclusos podem escrever à família, mas não podem usar envelopes. O envio de cartas é de todo proibido, para evitar a circulação de droga. Assim, são obrigados a escrever em postais ilustrados com a fotografia do próprio xerife. "Quando os parentes recebem a correspondência, vêem-me a mim", disse com orgulho, não fosse ele o "xerife mais duro da América".

Os métodos incomuns de Tent City têm atraído a curiosidade de muitos visitantes, que podem conhecer as instalações em grupos de 20 pessoas.
A prisão das cuecas e meias rosas
A prisão é composta por dois pátios, que atualmente abrigam 1,5 mil prisioneiros. No ‘N’ ficam os americanos ou imigrantes legais, que foram condenados por crimes como dirigir sob a influência de álcool ou outras drogas (DUI, na sigla em inglês) ou portar entorpecentes. Segundo Arpaio, os acusados de crimes violentos, como estupro e assassinato, ficam nas cadeias tradicionais em vez de em Tent City.

No Pátio ‘O’ estão os prisioneiros com pendências judiciais com agências americanas ou com outros países e os imigrantes sem documentos, explicou Bunch. “Eles foram presos por cometer delitos como o DUI, por dirigir sem carta de habilitação, por portar drogas ou por ser coiotes (ajudar imigrantes a cruzar a fronteira dos EUA ilegalmente)”, afirmou o oficial.

Dos “8 mil a 10 mil” presos em suas seis cadeias, 15% são imigrantes ilegais e, segundo Arpaio, a maioria está presa à espera de comparecer perante a Justiça por vários tipos de crimes. O xerife, porém, nega a acusação de seus críticos de que usa critérios raciais para prender deliberadamente no condado de Maricopa os que não têm documentos, mesmo que não tenham cometido nenhum delito.

Tent City atrai a curiosidade de policiais, jornalistas e público em geral. Por um número de telefone, é possível agendar visitas gratuitas para grupos de no máximo 20 pessoas. "Basicamente, essa não é uma prisão típica”, disse Bunch justificando o interesse.

Os curiosos querem ver os prisioneiros nas barracas com as heterodoxas meias, toalhas, lençóis e cuecas rosas, tom adotado em todas as seis cadeias sob o comando de Arpaio. “Quando utilizávamos peças brancas, os presos as roubavam ao serem libertados”, contou Bunch.
O efeito publicitário da medida foi tão bem-sucedido que o pink virou até a cor das algemas, numa marca registrada de Arpaio não por referir-se indiretamente à sua masculinidade, mas por ter o objetivo de humilhar a alheia. “Os presos odeiam pink. Por que lhes daria uma cor de que gostam?”, indagou. “Em relação às algemas, as temos dessa cor para evitar que sejam levadas sem querer por agentes de outros departamentos que usam nossas prisões.”

Os prisioneiros não têm permissão de ler revistas masculinas e têm acesso a apenas quatro canais de TV: CNN, Weather Channel (do tempo), ESPN e Food Network (de receitas).

Um comentário:

  1. Parabéns pela matéria!!
    Adorei..

    Luana Padilha.

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