MÚSICAS INESQUECÍVEIS

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

AS MÃES DO SOFRIMENTO


MÃES DA PRAÇA DE MAIO
As mães da Praça de Maio são mulheres que se reúnem na Praça de Maio, Buenos Aires (ARGENTINA) para exigirem notícias de seus filhos desaparecidos durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983). Alguns pais, considerados subversivos, tiveram seus filhos retirados de sua guarda e colocados para a adoção durante os cinco anos de ditadura. Quando acabou a ditadura, muitos filhos estavam sob guarda de famílias de militares.

Ainda hoje, todas as quintas-feiras, as mães realizam manifestações na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, buscando manter o desaparecimento de seus filhos vivo na memória de todos os argentinos.




Mães da Sé na Praça da Sé SP
MÃES DA SÉ
Fundada em 31 de março de 1996, a Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas (ABCD) nasceu da iniciativa de duas mães de crianças desaparecidas, Ivanise Esperidião da Silva e Vera Lúcia Gonçalves.

A ABCD iniciou um movimento de mães que se tornou permanente. Sempre aos segundos domingos de cada mês, na Praça da Sé, no centro de São Paulo, um grupo delas leva em próprio punho cartazes com fotos de seus filhos desaparecidos na esperança de que alguém que esteja de passagem pela região possa ajudá-las com notícias sobre o paradeiro de seus entes queridos.

Foi por conta desses encontros, que não deixam de ser um protesto silencioso diante da ineficiência do Estado em solucionar o problema do desaparecimento de pessoas, que a entidade passou a ser conhecida pelo nome de Mães da Sé (numa alusão às Mães da Praça de Maio, na Argentina).

A ABCD, que surgiu para atender a uma demanda restrita a crianças desaparecidas em São Paulo, ampliou seu foco de atuação ao longo de sua existência. Atualmente, atende a demanda de familiares e amigos de pessoas desaparecidas em todo o país, independentemente da faixa etária.

Em pouco mais de 7 anos de existência, a ABCD já cadastrou mais de 5.000 casos de pessoas desaparecidas em todo o Brasil. Desse montante, cerca de 15%, ou 762 casos, foram solucionados.

"Tínhamos um sonho que era o de criar uma entidade que tivesse o reconhecimento do poder público e de toda a sociedade civil. Graças ao nosso trabalho, estamos transformando esse sonho em realidade e, de certa forma, amenizando a dor que sentimos em nossos corações", conclui Ivanise.


MÃES DE ACARI
No dia 26 de Julho de 1990, onze pessoas, sendo três meninas e oito rapazes, em sua maioria, moradores da favela de Acari, ou de suas proximidades, foram levadas à força por homens que se diziam policiais, do sítio em que se encontravam em Magé, região metropolitana do Rio de Janeiro. Eles ou seus corpos jamais foram encontrados.

Foi o primeiro grande crime, envolvendo grande número de vítimas de uma só vez, cometido por policiais, em serviço ou não, contra moradores de favelas e periferias pobres, no Rio e no Brasil. Apesar dos numerosos indícios e informações que apontam a participação de policiais militares e civis no sequestro, até hoje o inquérito não foi concluído e ninguém foi denunciado pela Justiça.

O Caso Acari também marcou, portanto, o início da época da impunidade escandalosa em casos de crimes cometidos pelo Estado brasileiro contra seus cidadãos, após o encerramento formal do regime ditatorial iniciado em 1964, e o suposto advento da democracia no país.

As “Mães de Acari” logo se tornaram símbolo da luta por justiça de pessoas comuns do povo, diante de tanta violência, corrupção, conivência e medo. Deram o primeiro exemplo a muitas mães, pais, irmãos e amigos que se seguiram. Mostraram que não se pode esperar por justiça deixando tudo por conta do Estado, esse mesmo Estado que abriga e promove tantos assassinos e torturadores.
MÃES DA CANDELÁRIA
A chacina da Candelária, como ficou registrada pela mídia, ocorreu na madrugada do dia 23 de julho de 1993 próximo às dependências da Igreja de mesmo nome localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro. Nesta chacina, seis menores e dois maiores sem-tetos foram assassinados por policiais militares.


O que aconteceu na noite de quinta para sexta-feira no centro do Rio de Janeiro é chacina, coletivo de assassinato frio, brutal, premeditado. O chocante é que as vítimas foram sete crianças e jovens de 11 a 22 anos. O inominável é que todo dia quatro crianças brasileiras são chacinadas em condições parecidas. Passava da meia-noite e uns quarenta desses "meninos de rua", que a miséria privou de um teto, dormiam sob as marquises do generoso pé-direito de edifícios que margeiam a Igreja da Candelária. Estavam embrulhados em cobertores puídos no chão forrado por trapos de carpete. Chegaram dois Chevette, um claro, que na escuridão foi descrito como bege ou amarelo, outro café-com-leite, com uma faixa marrom nas laterais, confundido com um táxi. Do bege saíram quatro homens; do mais escuro, pouco depois, outros dois. Seguiu-se a barulheira de uma fuzilaria. Tiros, quase sempre na cabeça, mataram três na hora. Um deles, cambaleante, ainda atravessou a rua e emborcou na grama, em frente à igreja. 

A madrugada saturada de horrores não ficou aí. Não se sabe direito se pouco antes ou pouco depois do banho de sangue um Chevette amarelo, muito possivelmente o mesmo da chacina, abordou três rapazes a 500 metros da Candelária. Enfiados no carro, eles foram baleados e atirados num canteiro em frente ao Museu de Arte Moderna, a 3 quilômetros da outra matança. Dois morreram.

Nenhum comentário:

Postar um comentário