MÚSICAS INESQUECÍVEIS

sábado, 4 de dezembro de 2010

ROSA DE HIROSHIMA


Em 6 de agosto de 1945, a humanidade escrevia um dos seus piores capítulos: a Segunda Guerra Mundial. Naquele ano, a ferida viva do Holocausto pulsava na civilização ocidental – levemente suturada pelo suicídio do ditador-anti-cristo Adolf Hitler, em abril –, quando o mundo testemunhou, estarrecido, outra atrocidade: a bomba atômica que os Estados Unidos lançaram sobre Hiroshima. Ali, mais de 100 mil pessoas foram varridas do mapa sem tempo de entender como e porquê – a maioria delas, camponeses indefesos, já que a cidade foi escolhida justamente por ser alheia aos armamentos e absolutamente vulnerável, recolhida entre os vales. Três dias mais tarde, um novo bombardeio em outro alvo interiorano, Nagasaki, ceifou a vida de mais de 70 mil inocentes, confirmando a eficiência demoníaca da tecnologia bélica detonada pelo presidente americano em exercício, Harry S. Truman. Na ocasião, o físico J. Robert Oppenheimer, que comandou a equipe de cientistas e engenheiros responsáveis pelo artefato, declarou: “Eu me tornei a Morte, um destruidor de mundos”. Mesmo arrependido, sua conta foi entregue: morreu de câncer 3 anos depois dos atentados.
BombaAtomicaNagasaki_06_08_1945.jpg
As consequências do lançamento das bombas atómicas foram devastadoras. Ainda hoje se sente os efeitos da radiação a que as pessoas foram expostas naquele tempo, pois os efeitos passaram de geração em geração através do caracteres hereditários. A bomba de Hiroshima ocasionou a morte de milhares de pessoas e devastou completamente 9 km2. Devido aos efeitos nocivos das radiações, os habitantes de Hiroshima e Nagasaki foram vítimas de vários problemas de saúde. Houve inúmeros casos de crianças que nasceram defeituosas em consequência de alterações genéticas e muitos casos de leucemia, só para citar alguns exemplos.

Todos os anos, o dia 6 de Agosto é lembrado com muita tristeza, fazendo votos para que nunca mais o mundo tenha de assistir a uma tragédia como a desse dia.

A carnificina não foi maior porque o terreno montanhoso protegeu o centro da cidade. Quatro meses depois, porém, as mortes na cidade chegavam a 80 mil. Nagasaki, na verdade, era o objectivo secundário. Foi atingida porque as condições meteorológicas de Kokura, o alvo principal, impediam que os efeitos destrutivos da bomba fossem os planeados.

Equipas médicas desdobram-se na tentativa de salvar os mais de trinta e cinco mil feridos. Mas, por semanas, meses e anos, os feridos continuam a morrer, vítimas das terríveis lesões provocadas pela explosão atómica. Mesmo seis meses depois da explosão, centenas de pessoas ainda exibiam queimaduras não cicatrizadas, provocadas pela exposição à radiação. Há milhões de homens e mulheres com problemas causados pela radiação, até então desconhecidos, mas directamente relacionados com o bombardeio, continuam a surgir, mesmo muitos anos mais tarde. Em 1950, um recenseamento nacional do Japão indicou que havia no país 280 mil pessoas contaminadas pela radiação das bombas de Hiroshima e Nagasaki.
Os americanos consumiram seis anos e dois bilhões de dólares para produzir a arma mais destrutiva de toda a história da Humanidade.

Cinco meses depois de Hiroshima e Nagasaki, um comboio especial transporta o tenente norte-americano Sussan através do território japonês, para registar em filme os efeitos da explosão. O filme permaneceu secreto durante 13 anos.

Quando afinal foi divulgado, os americanos ficaram chocados com o que viram e com as proporções da destruição que a bomba provocou. Admitiram, então, que não imaginavam que o resultado pudesse ser aquele. Mas era impossível voltar a trás...

Hiroshima, hoje é  uma cidade moderna e vibrante com 1,2 milhão de habitantes, o clima é diferente. "Em lugares como Tóquio, o pacifismo não está mais 'na moda'. Mas em Hiroshima ele ainda está bastante vivo".


"Em Hiroshima, as pessoas têm uma forte identidade como vítimas da bomba atômica. Elas acham que têm de ser um farol do pacifismo e dos esforços para abolir as armas nucleares."

O Parque Memorial da Paz e o Domo da Bomba-A - a cúpula destruída de um prédio próximo ao local da detonação - tornaram-se marcas da cidade e servem para lembrar a tragédia que completou  65 anos .

Hiroshima, 6 de agosto de 1945 - 8h45min


A Guerra estava no fim, e Hiroshima permanecia intacta. O governo incentivava todos a manter as atividade
cotidianas. Nesse momento, os japoneses ouviram o alarme indicando a aproximação de um avião inimigo. Era um B-29, batizado de "Enola Gay", pilotado por Paul Warfield Tibbets Jr. Do avião, foi lançada a primeira bomba atômica sobre um alvo humano, batizada "Little Boy".
Instantaneamente, os prédios desapareceram junto com a vegetação, transformando Hiroshima num campo deserto. Num raio de 2 quilômetros, do hipocentro da explosão, tudo ficou destruído. Uma onda de calor intenso, emitia raios térmicos, como a radiação ultravioleta.

Os sobreviventes vagavam sem saber o que havia atingido a cidade. Quem estava a um quilômetro do hipocentro da explosão, morreu na hora. Alguns tiveram seus corpos desintegrados. O que aumentou o desespero dos que nunca vieram a confirmar a morte de seus familiares.

Quem sobreviveu, foi obrigado a conviver com males terríveis. O calor intenso levou a roupa e a pele de quase todas as vítimas. Vários incêndios foram causados pelos intensos raios de calor emitidos pela explosão. Vidros e metais derreteram como lavas.

Uma chuva preta, oleosa e pesada, caiu ao longo do dia. Essa chuva continha grande quantidade de poeira radioativa, contaminando áreas mais distantes do hipocentro. Peixes morreram em lagoas e rios, e pessoas que beberam da água contaminada tiveram sérios problemas durante vários meses.

O cenário da morte era assustador. As queimaduras eram tratadas com mercúrio cromo pela falta de medicamento adequado.

Não havia comida e a água era suspeita. A desinformação era tanta que muitos japoneses saíram de suas províncias para tentar encontrar seus familiares em Hiroshima. Corriam o maior risco pós-bomba: a exposição à radiação.

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